terça-feira, 18 de outubro de 2011

Perguntas Importantes Antes

Toca o telefone:

- Alô.

- Alô, bom dia! Estamos fazendo uma pesquisa do Ibope em todo o Brasil sobre relacionamentos dos usuários com suas operadoras de celular, você poderia responder? (...) Ok, o seu nome qual é? (...) Então, senhor Samuel, gostaria de informar que para sua segurança está pesquisa está sendo gravada, mas os seus dados não serão disponibilizados publicamente. Se você tiver mais dúvidas, você pode consultar as informações da pesquisa na linha do Ibope, no número 0800-500-1000, certo? (...) Ok, então, para começar, qual é a sua operadora de celular?

- Vivo

- Vivo? Ok, senhor, nós já batemos a meta de pesquisa com usuários da Vivo. Muito obrigado e tenha um bom dia...

- ¬¬''


Perguntas importantes antes, por favor.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

E na balada pós Dia das Crianças...

E na balada pós Dia das Crianças:

- E aí gata... curtiu?
- Curti, curti - disse ela, num misto de vergonha e orgulho pela noite recém-terminada
- Ah, então me adiciona no Face!
- Pode ser! E como eu te encontro?
- É bem fácil... eu tô usando uma foto do Seiya de Pégasus!!!!

E eles nunca mais se falaram...



Sam nunca gritou "me dê sua força, Pégasuuuuuuuu!"

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Multa de Trânsito

Cenas da vida irreal

No café da manhã:
- Filho, você andou dirigindo em alta velocidade por aí?
- Não. Porquê?
- Chegou uma multa de trânsito. Com o seu nome.
- (GULP!) Não assumirei nada até que seja provada minha culpa.
- Tem uma foto do motorista.
- (CUSPINDO A TORRADA) Duvido que seja eu.
- É ruivo.
- SOMOS 2% DA POPULAÇÃO MUNDIAL, que preconceito gente.
- Está usando um cardigã.
- Nunca ignore uma tendência fashionista.
- Tá batucando no volante.
- (...) Droga.

Nunca aconteceu. Mas podia...

domingo, 18 de setembro de 2011

Aquela Música Lenta

(Ouça a música. Imagine a cena. Dance junto.)



Atravessou o salão inteiro em sua direção. Parou a dois passos do lugar onde ela estava sentada. Ela sorriu. Pousou delicadamente o copo na mesa e esperou pelo próximo passo do cavalheiro que estava em sua frente. Ele estendeu a mão direita em sua direção, como se estivesse prestes a ter em seus dedos a flor mais bela da Terra.

E a flor mais bela da Terra estendeu sua mão para ele.

Ela levantou da cadeira e saiu com ele pelo salão, a ponta dos seus dedos segura nos dedos dele. Ao chegarem no meio do salão, gentilmente desfizeram os laços dos seus dedos. Ele colocou a mão em sua cintura; ela em seu ombro. A mão esquerda dele flutuou suavemente com a mão direita dela ao lado de seus corpos. Bailando no meio do salão, eram como uma pintura.

Ela usava um fina luva de cetim. Ele lembrou-se de Shakespeare: “Veja só como ela gentilmente segura o queixo entre as mãos. Quisera eu ser suas luvas, apenas para poder tocar em seu rosto!” E assim o fez.

A mão da cintura a puxou para mais perto. Aproximou o seu rosto do dela. Faíscas voaram. Permitiu-se respirar fundo e sorver o perfume dela por inteiro. Ela repousou o rosto em seu ombro. E assim atravessaram o salão, como se estivessem sozinhos.

Nenhuma das causas mais nobres, ditas pelos homens mais poderosos do mundo, seriam o suficiente para tirá-lo daquele momento único. O ritmo da música tocada pela banda rimava com a batida dos seus corações, em uníssono. Ao fim da canção, num ato misto de paixão e ímpeto, ela entrelaçou seu pescoço com seus braços. Ele colocou as duas mãos em sua cintura e a puxou mais perto ainda.

Não houveram beijos, não houveram palavras. Não foram necessários milhares de motivos para viver aquele sentimento; era um sentimento que por si só já era suficiente. Ao início da próxima música, eram apenas um. E assim seguiram pelo resto da noite. 

Milhares de palavras e frases surgiam a todo momento, para ele pronunciar caso tivessem que quebrar o silêncio. Mas não havia nada mais verdadeiro a dizer para ela do que a frase que o martelava como uma verdade absoluta.

- Ah, como eu desejei essa música lenta...

Fim

sábado, 30 de abril de 2011

Cada Um Enxerga o que Quer, do Jeito que Quer

A saída do trabalho até o estacionamento era uma diversão.

Achava graça no fato de encontrar sempre as mesmas pessoas no caminho: o garoto do colégio que usava bandana, a moça peituda que usava uma calça colada, o corretor animado do quinto andar, a moreninha simpática do andar de cima... Divertia-se com a constatação de que mesmo sem saber o nome deles, cada um tinha um nome para ele.

Mal sabia que para o garoto do colégio que usava bandana, para a moça peituda que usava uma calça colada, para o corretor animado do quinto andar e para a moreninha simpática do andar de cima, ele era o garoto estranho que pendurava o cabo do guarda-chuva no bolso da bunda na calça jeans.

Cada um enxerga o que quer, do jeito que quer.

Conviva com isso.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Madrugada

Madrugada de quarta pra quinta, 4h50min da manhã, cachorros latindo, alarme tocando, e o momento mais criativo do meu dia.

Hoje é quarta-feira
E eu vou ver TV
Você vai dormir cedo
E eu não sei porque
Você está do outro lado da cidade
E eu estou aqui
E quando os dois forem pra cama
Sei que nenhum vai dormir

E se de noite esfriar
Quem vai te esquentar?
E caso a noite esquente
Quem vai puxar sua coberta pra você não suar?
E logo de manhã
Quando sair o sol
Eu vou fazer o café
E deixo você com o lençol

Mas quando eu durmo sozinho e me sinto só
Eu peço por favor que você tenha dó
De nada adianta ter uma cama grande assim
Se eu não tenho você
E você não tem a mim

Sam espera que ela venha pra esse outro blog, logo logo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Documentário

Tarde da noite. Ela manda uma mensagem pra ele:

- Assisti um filme que lembrei de ti. O nome era "Te Amarei Para Sempre".

Ele estava assistindo um documentário do Rush.

Ela ficou sem resposta.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Acidente de Gaveta

E eu quero ver
Quando eu chegar
Qual é roupa
Que ela vai usar
Aquela calça que só usa em casa
E a camiseta do uniforme escolar
O moletom rosa de quando era gordinha
E uma meia de cada par
E no rosto, aquele sorriso
Que ela só tira da gaveta
Quando eu passo por lá

Coisas da praia... =)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E Ela Vai Tocar Guitarra!

Na praça de alimentação...

- Quando tu era pequena, tu pensava em como ia ser quando crescer? Coisas de menina... tipo... na tua casa... filhos... coisa assim...
- Hm... sim, pensava sim. Eu sempre soube que vou ser que nem os meus pais quando tiver filhos. Bastante presente. E eu sempre quis ter uma filha ou um filho ruivo. Hehehe...
- Sério? Poxa... que coisa! Hehehe
- Sim, sério. Mas porque tu quer saber?
- Ah, curiosidade... é que normalmente os meninos não pensam nisso...
- É...
- Sim... masssss... eu penso!
- É? Hahaha... então conta.
- Sim. Eu sempre imaginei ter uma filhinha, ruiva claro. E o nome dela vai ser Sofia. Não sei porque, isso sempre me marcou: ruiva, Sofia, com um óculos do tamanho da cara. Bem nerd.
- E sardentinha né?
- Isso, isso, bem sardentinha! Com um cabelo meio franjão, cortado reto na testa. E ela ia ser meio hippie...
- ...e ia usar aquelas bolsas atravessadas, de alça né?
- ISSO! E a bolsa ia ser ecólogica, provavelmente, e cheia de...
- ...BOTTONS! E patchs, claro, toda decorada, e... e...
- (...)
- (...)
- (...)
- (...)
- ...E ELA VAI TOCAR GUITARRA!
- ...E ELA VAI TOCAR GUITARRA!
- Hahaha...
- Hahaha... ai ai
- Hehe... ai... eu acho que a gente conhece alguém muito parecido, pra dar exemplos tão perto assim.
- É. Ou não né.
- Ou não.
- É.
- É.
- (...)
- (...)
- Vamo comê alguma coisa?
- VAMO! Gentsch, achei que tu não ia falar isso nunca!


Nando Reis é ruivo e é pai de uma Sophia. Sam não tem nada a ver com isso.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Eu Quero O Teu Couro

(Fechando a trilogia do "Episódio 1: O Pedido de Namoro" e "Episódio 2: Jantar na Casa Dela")

Saindo do estacionamento depois de largar o carro, um homem o aborda no meio do caminho e o cumprimenta:

- Samuel?
- Ooie, sim, sou eu.
- Eu quero teu couro, Samuel.
- P-P-Porque?
- Tu tá namorando a minha sobrinha - respondeu, sorrindo.

Episódio 3: Nada como Conhecer o Resto da Família Dela.

domingo, 19 de setembro de 2010

Tenho Que Tentar Isso Mais Vezes

[0h23min, deitados na cama no quarto dela]

- Tu vê... - ele disse - há um mês e pouco eu era só um cara te dando oi num bar...
- Pois é...
- E agora, tô aqui... deitado na tua cama no teu quarto contigo!
- Verdade! Legal né?
- Muito! Tenho que tentar isso mais vezes...

BAAAAMMM!

[0h24min, ela deitada na cama, ele no chão do quarto dela]

Sam perde a namorada mas não perde a piada

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Beijo da Mulher-Aranha

4h15min: Tu ia achar muito estranho se as coisas acontecessem mais rápido do que em dois meses?
4h16min: Como assim... mais rápido?
4h16min32s: Assim... mais rápido do que o normal.
4h17min: Mas... que coisas? E não entendi o mais rápido ainda. E o que tu quis dizer com...
4h17min10s: [Põe o indicador nos lábios dela. Ela pára de falar.]
4h18min: Quer namorar comigo?
4h18min10s: [Deixa ela falar.]
4h18min20s: Sim.
4h18min21s - 4h20min37s: [Pedido de namoro aceito com sucesso. Minutos de detalhes sórdidos.]
4h20min38s: Até que enfim né!
4h20min39s - 4h22min43s: [Mais minutos de detalhes sórdidos.]
4h22min44s: Tá... eu tenho que ir pra casa mesmo.
4h22min45s: Tá, já te levo. Só vamos tentar fazer uma coisa antes.
4h22min46s: [Tentativa de imitar o beijo do Homem-Aranha e da Mary Jane realizada.]
4h22min47s - 4h23min: [Tentativa realizada sem muito sucesso.]
4h24min: Hm... [cabeça pra baixo] É... acho que tá na hora de ir pra casa mesmo.

Face it tiger... you just hit the jackpot.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma Arte

A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

— Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

Vi primeiro aqui. Não costumo postar aqui coisas que não sejam minhas, mas sei lá... caiu bem num momento interessante. Porque a gente tem que se permitir perder também. Não se ganha sempre, afinal...

Sam é dramático.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Permissão

E a palavra de ordem é permissão.

Permitir-se amar, seja amar demais, amar de menos, amar de se amarrar, amar de se odiar...

(porque ódio ainda é quase-amor)

Permitir-se segurar a mão de alguém tão forte a ponto de não querer deixar ela ir...

(e permitir ela ir, porque se é pra ela ir ela vai e se é pra ela voltar ela volta e se... e se?)

Permitir que o universo seja do jeito que ele é, porque se foi entregue assim era pra ser assim.

E afinal o que são nossas permissões mundanas perto do universo?

Permitir que o aplicativo funcione.
Permitir que o banco envie outro cartão.
Permitir que o outro passe na nossa frente no trânsito.

(aliás, permita no trânsito, gentileza é tudo)

Permitir que os nós dos dedos seus apertados aos nós dos dedos dela representem o que vocês são agora para... nós.

(já que quando dois "eus" se unem eles viram "nós" e não mais "sós", não?)

Permitir, permitir, permitir...

Permitam-me me retirar.

Sono, sabe?

(não sei quem foi que permitiu isso)

Estamos em obras para melhor atendê-los.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Las Vegas

A falta do teu
Sorriso largo
Deixou o meu
Sorriso amargo
E a falta do teu
Cheirinho bom
Faz parecer
Mesmo no verão
Que é sempre inverno por aqui

A falta da tua
Risada sincera
Deixou a minha
Risada na espera
Do teu sorriso
E do abraço apertado
E eu esperei
E fui derrotado
E é sempre inverno por aqui

Um dia ainda te levo
Pra um lugar onde o tempo não passa
A gente conversa, se entende
Vai pra Las Vegas e casa
Desisti de você muito fácil
E o que eu faço não faz diferença
Agora só resta olhar pra porta
E tentar sair com decência

Na minha cabeça, uma música pronta. Na de vocês...?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Apartamento 202

O apartamento 202 era um lugar mágico.

Coisas diferentes, estranhas e divertidas aconteciam lá. Eram acontecimentos tão únicos, que beiravam os limites das pessoas, que excediam os padrões de comportamento delas, que as encorajavam a fazer coisas tão novas e absurdas para elas mesmas, que tudo que acontecia no apartamento 202 ficava no apartamento 202.

E essa é a razão pela qual esse conto é tão curto.

Fim.

Sam curtia sacanear seus leitores.
Uma legítima "puta falta de sacanagem" (by Natie)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

The Airplane Song

Sentou do lado dela e desandou a falar.
- Você vai embora?
- Vou.
- Pra onde?
- Pra longe.
- E longe é perto?
- Não. Longe é longe.
- E você vai porque?
- Porque preciso.
- “Viajo porque preciso, volto porque te amo”.
- Isso parece frase de caminhoneiro.
- E é.
- E você esperava conseguir alguma coisa com essa frase?
- Te arrancar um sorriso.
- Se você precisa “arrancar” coisas de mim pra ser feliz, então eu preciso ir mesmo.
- (...)
- (...)
- Ir por ir é burrice. É fugir dos problemas.
- Não to fugindo. Só preciso pensar neles.
- (...)
- (...)
- É covardia.
- É altruísmo. Uma chance pra cada um viver sua vida sem o peso um do outro.
- Então você está simplesmente tirando um peso da sua vida? Eu sou o que, bagagem?
- Nesse momento, você é um mala.
- (...)
- (...)
- Foi algo que eu fiz?
- Não.
- (...)
- (...)
- Foi algo que eu não fiz?
- Não.
- (...)
- (...)
- Foi algo que eu falei?
- Não.
- (...)
- (...)
- Foi algo que eu deixei de falar?
- Hm...
- VOCÊ HESITOU! EU VI, VOCÊ HESITOU! VOCÊ PAROU PRA PENSAR!
- E talvez você devesse fazer o mesmo...
- (...)
- Me escuta: nem sempre a palavra certa na hora certa é o melhor a se fazer. A palavra espontânea no momento inesperado tem muito mais valor. Ok, eu sei que é bonito saber que você me ama enquanto observamos o nascer do sol invadir as folhas das árvores no outono, tendo de trilha sonora o canto matinal dos passarinhos, numa cena digna de um filme da Disney. Mas eu quero ter certeza que você ainda vai me querer quando eu chegar em casa do trabalho toda molhada e mal humorada porque caiu uma chuva filha da puta no caminho e o meu guarda chuva quebrou e eu tive que pegar um ônibus porque não tinha dinheiro pro táxi e, claro, estou de TPM, entendeu?
- Quem me dera eu saber disso antes...
- Eu não sabia, eu aprendi. E talvez você não precisasse saber. Quem sabe seja esse o meu papel no nosso relacionamento: ser a garota altruísta que vai ajudar você a descobrir como ser você mesmo.
- E o meu papel, qual será?
- Eu realmente espero que você seja o cara altruísta que vai me fazer sorrir quando eu chegar puta da cara em casa, sem precisar arrancar nada de mim, a não ser... isso que você está pensando neste exato momento nessa sua cabecinha suja.
- Parece um bom papel a ser executado.
- Senhores passageiros, última chamada para o vôo 514 com destino a Lon...
- É o meu vôo. Eu tenho que ir.
- Não! Já?! Você já tem que ir?! Eu achei que você ainda ia comprar a passagem... esperava fazer você mudar de opinião.
- Eu comprei a passagem há 35 minutos atrás. Você não acha realmente que eu ia deixar você mudar os meus planos de última hora, não?
- Eu sabia que nunca devia ter te emprestado os meus quadrinhos... mas assim, tão rápido? Agora que a gente tá se entendendo?
- Querido, a gente nunca se desentendeu. Lembre-se que há sempre o futuro. E quanto mais
rápido eu for... mais rápido eu volto.
Levantou-se do lado dele e pôs se a caminhar.
- Vou torcer pra que esteja chovendo quando você voltar.
Ela sorriu.
Ele ficou orgulhoso.


Já estava executando o seu papel.


She's so extraordinary
She left last january
And that's the reason I miss you so...
(Scouting For Girls - The Airplane Song)

Sam precisa viajar.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Seu Valor

- E aí, você conhece ela?
- Conheço.
- Gata né?
- Aham. E muito gente boa.
- Me apresenta ela?
- Hm... não tenho tanto contato com ela assim. E a gente não faz o tipo dela.
- E qual é o tipo dela?
- Ela curte mais aqueles carinhas magrelos, jeans skinny, cabelinho desarrumado, meio indie, sabe?
- Hm, sei... enfim.
- (...)
- (...)
- E essa aqui? Conhece?
- Sim. Mas ela também não curte o nosso tipo.
- O que ela curte?
- Aqueles gurizinhos com franja, meio tímidos, meio misteriosos, saca? Elas acham um charme eles parecerem não ter jeito com garotas e tão loucas pra descobrir se isso é verdade. E eles curtem praia. E esportes. E são magros.
- Hm... pelo visto não são eles que não tem jeito com garotas...
- (...)
- (...)
- AQUI! E essa aqui? Bah, essa aqui certo que curte caras como a gente!
- Ahnnn...
- Não vai me dizer que...
- Hm, hm...
- PUTAQUEOPARIU.
- Essa aqui curte caras mais velhos. Daqueles que tem mais grana, sabe? Que saem com os amigos cada um no carro chique que ganhou do pai, pagam 40 reais de entrada morto nas festas e baixam litrão até de madrugada. E usam relógio de pulso.
- Eu tô indignado cara! SÉRIO. Tô começando a achar que o problema é com a gente! Nenhuma guria vai gostar de dois caras fudidos, gordinhos, que só tomam cerveja porque é barato e só vão em bar que não paga entrada. E pra piorar, NOSSO CARRO É POPULAR.
- Ah, mas pelo menos tem rádio. E a gente tem bom gosto.
- Ah, cala a boca...
- (...)
- (...)
- É... na real, eu acho que pra gente se dar bem com elas, elas teriam que descobrir o nosso valor.
- É a gente sabe qual é “o nosso valor”?
- (...)
- (...)

Ambos morreram solteiros.

Sam está baratinho.

terça-feira, 8 de junho de 2010

[Curtas] Lista, Janela e Poesia de Máquina

Acordou cedo.

Foi ao banheiro, olhou-se no espelho, esfregou os olhos, lavou o rosto, coçou a barba e voltou pra cama.

Sentou na cama desarrumada, pôs os pés sobre as pantufas, pegou uma folha em branco e uma caneta.

"Hoje vou começar a corrigir minha vida", pensou. Escreveu bem grande no topo da folha:

COISAS A FAZER PARA MELHORAR MINHA VIDA

Escreveu o primeiro item, bocejou e voltou pra cama.

A folha caiu suavemente no chão no meio do quarto.

O primeiro item?

"Dormir mais".

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Desde que tinha se mudado para a casa nova, seu quarto era metade escuro e metade claro. A culpa era da janela, que apesar de grande, só abria de um lado. O outro lado, meio enferrujado talvez, ou mal feito mesmo, abria até a metade, rangia, grunhia, e não abria mais. Mas ele não se importava.

Considerava aquela janela semi-aberta como um sinal de que devia ver a vida diferente. Lembrou-se de Odin, patriarca da mitologia nórdica, que na ânsia pelo conhecimento total olhou para o Poço da Sabedoria. Sabendo que poderia ficar cego se fizesse aquilo, Odin tapou um olho e sacrificou o outro.

(Lembrava-se da história assim. Ou pelo menos havia aprendido nos Cavaleiros do Zodíaco assim)

Assim, Odin ganhou a sabedoria plena, mas nunca enxergaria o mundo de forma completa com ela. Considerava então aquela janela semi-aberta um aviso: por mais belo que seja o mundo que você enxerga da sua janela aberta, há sempre algo que você não poderá ver, no lado que você não conseguirá abrir.

Viveu a partir dali a vida de forma plena, aproveitando sua sapiência recém-adquirida, julgando a tudo e a todos sempre observando os dois lados da moeda e nunca deixando seus preconceitos avaliarem uma situação de forma errônea e apressada. Viveu assim até o dia em que aconteceu uma tragédia...

Seu pai consertou a janela.

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Escreva
Tire de você e jogue numa folha, numa tela, num arquivo
É uma forma de se auto-medicar
Todo poeta sofre suas letras
Suas rimas, são-lhe lágrimas
Por isso é poesia o que do mais se destaca
A arte, nasce dos sentimentos...
O resto, é só técnica
E técnica
É poesia de máquina

(autoria do chefe, confessionada via MSN)

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Sam curtia o que seu chefe escrevia.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ghostbusters (ou Aquele das Frases Prontas)

O bar estava cheio. Sentou do lado dela:

- Oi.
- Oie.
- Então... bar cheio né.
- Pois é.
- ...
- ...
- ...
- ...
- Um ano já.
- Do quê?
- Que a gente se conheceu. Aqui.
- Sério? - ela pensou - faz tempo.
- Pois é.
- (suspiro)
- (silêncio)
- (suspiro)
- E quanto tempo desde...
- (EUFORIA!)
- ...quanto tempo desde que a gente... terminou? - ela perguntou.
- Hm - ele pensou - Não lembro direito. (78 dias, 14 horas e sete minutos)
- Hm. Nem eu.
- ...
- ...
- ...
- ...
- Sabe... eu tava lendo... casais que não esperam muito um do outro tem mais chances de dar certo, sabia?
- É? - ela franziu a testa e juntou as sombrancelhas, como sempre fazia quando ele tocava no assunto desde que terminaram - e aí?
- Eu tava pensando... a gente não tem mais muito o que esperar do outro de novidade. Quero dizer... eu já sei que você beija bem para caramba e você já sabe o que esperar dos meus... braços, sei lá.
- Hehehe... pois é - sorriu.
- E você já sabe a sensação da minha mão passando os dedos no seu cabelo e eu já sei a sensação de você me abraçando forte e me segurando forte e...
- Hm... continue - respondeu interessada
- ...e claro, naturalmente, eu já sei que você volta e meia é uma louca surtada que vai sumir e não vai dar notícias por uma semana e você já sabe que eu sou completamente problemático em relação a atenção e carinho e...
- Hmmmm...
- ...e eu não devia ter dito isso né?
- Hm-Hm... - respondeu negativa
- Mas que puxa... eu nunca falo a coisa certa.
- ...
- ...
- ...
- (desolado)
- (querendo mais uma cerveja)
- Sabe...
- (querendo se matar)
- Eu ainda sei várias frases clichê de filmes românticos. Se isso ajudar em alguma coisa...
- Ha... - ela sorriu - você pode sempre tentar.
- Ok - pigarreou, limpou a garganta e disse - eu vejo quinze pares de olhos todo manhã, mas o meu dia não começa de verdade antes de ver os seus.
- Essa você pegou de um filme de oculista né...
- Eu não me importo... - continuou sem notar a resposta dela - ...com quem você chega na festa, desde que você saia dela comigo.
- Melhorou.
- Você... - levantou e pegou ela pela mão - ...você me faz querer ser um homem melhor.

Ela se emocionou pela primeira vez na noite. O volume da música no lugar aumentou. O clima no bar esquentou. O tempo parou. Pôs a mão dela junto ao seu peito e a puxou para perto. Segurou-a firmemente com a outra mão pela cintura. Ouviu a respiração dela bem baixinho. Sussurrou no seu ouvido suavemente.

- Who you gonna call... ghostbusters...

Ela soltou uma risada sincera. Os dois se olharam e sorriram. Ele ia começar a falar novamente, mas ela levantou a mão e pediu para ele parar...

- Não, não precisa. Você me ganhou no "oi".

Ele sorriu. Ela havia entrado na brincadeira. Mas faltava um último teste.

- Eu te amo - disse ele.
- Eu sei - ela respondeu.

Realmente, haviam sido feitos um para o outro.

Sam curte Ghostbusters. E frases prontas.