terça-feira, 4 de outubro de 2011

Multa de Trânsito

Cenas da vida irreal

No café da manhã:
- Filho, você andou dirigindo em alta velocidade por aí?
- Não. Porquê?
- Chegou uma multa de trânsito. Com o seu nome.
- (GULP!) Não assumirei nada até que seja provada minha culpa.
- Tem uma foto do motorista.
- (CUSPINDO A TORRADA) Duvido que seja eu.
- É ruivo.
- SOMOS 2% DA POPULAÇÃO MUNDIAL, que preconceito gente.
- Está usando um cardigã.
- Nunca ignore uma tendência fashionista.
- Tá batucando no volante.
- (...) Droga.

Nunca aconteceu. Mas podia...

domingo, 18 de setembro de 2011

Aquela Música Lenta

(Ouça a música. Imagine a cena. Dance junto.)



Atravessou o salão inteiro em sua direção. Parou a dois passos do lugar onde ela estava sentada. Ela sorriu. Pousou delicadamente o copo na mesa e esperou pelo próximo passo do cavalheiro que estava em sua frente. Ele estendeu a mão direita em sua direção, como se estivesse prestes a ter em seus dedos a flor mais bela da Terra.

E a flor mais bela da Terra estendeu sua mão para ele.

Ela levantou da cadeira e saiu com ele pelo salão, a ponta dos seus dedos segura nos dedos dele. Ao chegarem no meio do salão, gentilmente desfizeram os laços dos seus dedos. Ele colocou a mão em sua cintura; ela em seu ombro. A mão esquerda dele flutuou suavemente com a mão direita dela ao lado de seus corpos. Bailando no meio do salão, eram como uma pintura.

Ela usava um fina luva de cetim. Ele lembrou-se de Shakespeare: “Veja só como ela gentilmente segura o queixo entre as mãos. Quisera eu ser suas luvas, apenas para poder tocar em seu rosto!” E assim o fez.

A mão da cintura a puxou para mais perto. Aproximou o seu rosto do dela. Faíscas voaram. Permitiu-se respirar fundo e sorver o perfume dela por inteiro. Ela repousou o rosto em seu ombro. E assim atravessaram o salão, como se estivessem sozinhos.

Nenhuma das causas mais nobres, ditas pelos homens mais poderosos do mundo, seriam o suficiente para tirá-lo daquele momento único. O ritmo da música tocada pela banda rimava com a batida dos seus corações, em uníssono. Ao fim da canção, num ato misto de paixão e ímpeto, ela entrelaçou seu pescoço com seus braços. Ele colocou as duas mãos em sua cintura e a puxou mais perto ainda.

Não houveram beijos, não houveram palavras. Não foram necessários milhares de motivos para viver aquele sentimento; era um sentimento que por si só já era suficiente. Ao início da próxima música, eram apenas um. E assim seguiram pelo resto da noite. 

Milhares de palavras e frases surgiam a todo momento, para ele pronunciar caso tivessem que quebrar o silêncio. Mas não havia nada mais verdadeiro a dizer para ela do que a frase que o martelava como uma verdade absoluta.

- Ah, como eu desejei essa música lenta...

Fim

sábado, 30 de abril de 2011

Cada Um Enxerga o que Quer, do Jeito que Quer

A saída do trabalho até o estacionamento era uma diversão.

Achava graça no fato de encontrar sempre as mesmas pessoas no caminho: o garoto do colégio que usava bandana, a moça peituda que usava uma calça colada, o corretor animado do quinto andar, a moreninha simpática do andar de cima... Divertia-se com a constatação de que mesmo sem saber o nome deles, cada um tinha um nome para ele.

Mal sabia que para o garoto do colégio que usava bandana, para a moça peituda que usava uma calça colada, para o corretor animado do quinto andar e para a moreninha simpática do andar de cima, ele era o garoto estranho que pendurava o cabo do guarda-chuva no bolso da bunda na calça jeans.

Cada um enxerga o que quer, do jeito que quer.

Conviva com isso.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Madrugada

Madrugada de quarta pra quinta, 4h50min da manhã, cachorros latindo, alarme tocando, e o momento mais criativo do meu dia.

Hoje é quarta-feira
E eu vou ver TV
Você vai dormir cedo
E eu não sei porque
Você está do outro lado da cidade
E eu estou aqui
E quando os dois forem pra cama
Sei que nenhum vai dormir

E se de noite esfriar
Quem vai te esquentar?
E caso a noite esquente
Quem vai puxar sua coberta pra você não suar?
E logo de manhã
Quando sair o sol
Eu vou fazer o café
E deixo você com o lençol

Mas quando eu durmo sozinho e me sinto só
Eu peço por favor que você tenha dó
De nada adianta ter uma cama grande assim
Se eu não tenho você
E você não tem a mim

Sam espera que ela venha pra esse outro blog, logo logo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Documentário

Tarde da noite. Ela manda uma mensagem pra ele:

- Assisti um filme que lembrei de ti. O nome era "Te Amarei Para Sempre".

Ele estava assistindo um documentário do Rush.

Ela ficou sem resposta.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Acidente de Gaveta

E eu quero ver
Quando eu chegar
Qual é roupa
Que ela vai usar
Aquela calça que só usa em casa
E a camiseta do uniforme escolar
O moletom rosa de quando era gordinha
E uma meia de cada par
E no rosto, aquele sorriso
Que ela só tira da gaveta
Quando eu passo por lá

Coisas da praia... =)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E Ela Vai Tocar Guitarra!

Na praça de alimentação...

- Quando tu era pequena, tu pensava em como ia ser quando crescer? Coisas de menina... tipo... na tua casa... filhos... coisa assim...
- Hm... sim, pensava sim. Eu sempre soube que vou ser que nem os meus pais quando tiver filhos. Bastante presente. E eu sempre quis ter uma filha ou um filho ruivo. Hehehe...
- Sério? Poxa... que coisa! Hehehe
- Sim, sério. Mas porque tu quer saber?
- Ah, curiosidade... é que normalmente os meninos não pensam nisso...
- É...
- Sim... masssss... eu penso!
- É? Hahaha... então conta.
- Sim. Eu sempre imaginei ter uma filhinha, ruiva claro. E o nome dela vai ser Sofia. Não sei porque, isso sempre me marcou: ruiva, Sofia, com um óculos do tamanho da cara. Bem nerd.
- E sardentinha né?
- Isso, isso, bem sardentinha! Com um cabelo meio franjão, cortado reto na testa. E ela ia ser meio hippie...
- ...e ia usar aquelas bolsas atravessadas, de alça né?
- ISSO! E a bolsa ia ser ecólogica, provavelmente, e cheia de...
- ...BOTTONS! E patchs, claro, toda decorada, e... e...
- (...)
- (...)
- (...)
- (...)
- ...E ELA VAI TOCAR GUITARRA!
- ...E ELA VAI TOCAR GUITARRA!
- Hahaha...
- Hahaha... ai ai
- Hehe... ai... eu acho que a gente conhece alguém muito parecido, pra dar exemplos tão perto assim.
- É. Ou não né.
- Ou não.
- É.
- É.
- (...)
- (...)
- Vamo comê alguma coisa?
- VAMO! Gentsch, achei que tu não ia falar isso nunca!


Nando Reis é ruivo e é pai de uma Sophia. Sam não tem nada a ver com isso.